Ela tinha-lhe dito que não percebia como ele tinha tropeçado
assim. Tropeçado assim dentro dela.
Durante aqueles dias, aquelas manhãs que eram sol em noites
de inverno, às vezes frias, a dúvida aparecia. Embora incerta, mantinha-se fiel
à proposta de um amor sem igual, que arrancava forças, ossos, a uma pele já
tremida por angústias anteriores.
O amor de hoje, daqueles moicanos, que balançam ancas, que
enchem de ar o peito, que te alavancam da cama conspurcada de sabores e odores,
parecia o definitivo.
Havia dúvidas, há sempre. Havia certezas, muito mais.
Aquelas inseguranças, adolescentes, desapareceram com a idade. Apareceram
outras, mais dóceis, mais fortes. Havia agora sensatez, havia agora uma certeza
perdida.
Conheceram-se num banco de jardim (os grandes amores
ruborizam sempre nos jardins). Ela estava de pé. Ele também estava feliz.
Ela disse-lhe que não percebia como ele tinha tropeçado
assim. Tropeçado assim dentro ela.
Ela ficou desarrumada por dentro. Ele ficou feliz por fora.
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